PostHeaderIcon Budapeste: Segunda Metade Salva Ingresso


Budapeste é, sem dúvida, um daqueles filmes sobre os quais é difícil emitir uma opinião categórica. É bom ou não? Para se ter uma ideia, na sessão à qual fui, em São Paulo, três pessoas deixaram o cinema antes de uma hora de iniciado o filme. Um exagero. Se tivessem ficado veriam que a segunda metade da história salvou o resultado.

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O grande problema do filme é a demora para achar sobre o que ele quer contar. Em um livro – Budapeste é baseada em obra homônima de Chico Buarque – é possível desenvolver diversas histórias ao mesmo tempo, mas no cinema é diferente. Uma história precisa ter destaque, ser 85% a 90% do filme e o restante vai correr por fora.

A história que o filme inicialmente deseja desenvolver é a de Costa, um ghost-writer que vive conflitos amorosos com a esposa e com a amante e não revela maiores problemas com a profissão que escolheu. Por mais da metade do filme imagina-se que a história vai correr por aí até que, de repente, tudo perde importância e uma ‘nova’ história começa: a real dificuldade que Costa tem em conseguir lidar com o peso de uma profissão na qual o anonimato é crucial. Ghost-writers são escritores que desenvolvem discursos, e até livros, que outros assinam e pelos quais levam os louros e os prêmios.

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O problema é que Budapeste ficou dividido demais. As histórias parecem capítulos que não se encontram. O filme começa com um casamento em frangalhos; depois vai para um caso extraconjugal; e se encerra com um conflito profissional. Nessa ordem. O irônico disso é que o conflito profissional do escritor é muito mais interessante que qualquer outra história paralela. Em tese, a esposa, a amante e mesmo a paixão pelo idioma húngaro (mostrada muito de leve), que podiam ser pinceladas, daquelas que fazem o filme ganhar nuances mais interessantes, são apenas elementos tediosos que cansam o espectador, cada um na sua vez. É frustrante estar atenta a uma história que de repente não tem importância alguma. Imagine isso acontecendo três vezes.

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Os pontos positivos estão todos relacionados aos conflitos profissionais de Costa que revelam seu caráter. É interessante ver a dificuldade que muitos temos em aceitar as consequências de nossas escolhas, os contras de nossas decisões, o famoso lado ruim da situação. A história de Costa mostra como é complexo, para o ser humano, não aceitar em si características nada honrosas, como o orgulho e a vaidade. O bonito – e publicável – é ser amante da arte. É vergonhoso ser reconhecido por seu trabalho. A hipocrisia do personagem é o que faz valer o ingresso. Ah, e também a rápida, mas bem-vinda participação de Chico Buarque.

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