Diário da Copa #20
O começo do fim começou hoje. Não tivemos Copa por dois (longos) dias. Mas valeu a pena esperar.

O gramado no Nelson Mandela Bay era horroroso. Horroroso que não foi o jogo entre Brasil e Holanda. Duelo histórico, e disputado, que Robinho tratou de marcar primeiro. Prenúncio de goleada? Não, porque o goleiro Stekelenburg não quis – ele já tinha sido grande contra Camarões e Eslováquia.

O primeiro tempo brasileiro fora bom. A Holanda apenas cozinhava o jogo. Esperteza…

O técnico Bert van Marwijk sabia que o seu time não era páreo para a Seleção Brasileira. Que se atacasse, perderia. Então foi menos Holanda e mais Europa, como sempre foi sob seu comando.

Gol de contra de Felipe Melo em falha de Julio Cesar e o empate aparecia no marcador. Aquilo que era sonho virou pesadelo. Os holandeses provocaram – van Bommel saiu de campo sem cartão amarelo, que merecia ter levado -, mas conseguiram ficar com um a mais em campo quando Felipe Melo pisou em Robben – até então, anulado por Michel Bastos.

Gol de Sneijder no alto de seus 1,70m, em jogada ensaiada a partir de um escanteio.

Festa na Holanda, choro no Brasil. Lágrimas que, alías, já haviam sido anunciadas quando o técnico Dunga fez a convocação para o Mundial. Até mais, xerifão.

Abreu cobra com cavadinha, como fez no Carioca. Mito


O melhor de tudo foi a outra partida do dia, que fez “esquecer” a do Brasil. Uruguai e Gana. Quem diria que esses times iam nos proporcionar um sentimento de alegria tão grande?

Muslera aceitou um chute de Muntari, da intermediária. O outro goleiro, Kingson, aceitou a falta de Forlán. Veio o último minuto da prorrogação, e nele a chance. Em uma cobrança de falta aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, confusão na área, toque de cabeça, Appiah tocou para o gol, Fucile tirou com o joelho, mas na continuação, em toque de cabeça, Suarez tirou com as mãos. Cartão vermelho e pênalti no último segundo de jogo.

Suarez chorava copiosamente fora de campo. Dentro, Gyan ajeitava o seu terceiro pênalti na competição – até então, dois cobrados, dois convertidos. Dramático. Chute no travessão e bola para fora. Suarez pulava e comemorava. Sua tentativa de ser Muslera deu certo.

Nos pênaltis, Mensah e Adiyiah bateram no canto esquerdo e Muslera caiu para defender. Abreu fez jus ao seu apelido de “Loco“, fez a cavadinha e avançou o Uruguai às semis de um jogo que se tornou um dos 10 melhores da História.

Épico.

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