Em “Eu sou a Lenda”, ele se esforça para mostrar ao público que seu personagem, Dr. Neville, não está louco quando fala com a cachorra, com os manequins e com ele mesmo. Na verdade, o que Dr. Neville tenta fazer é continuar com um mínimo de “vida social”, indo à locadora e passando no balcão ou dando oi para uma manequim que está “escolhendo um filme”. Mas é impossível não notar as cenas em que ele realmente cai na real e percebe que por mais que se esforce, ele está sozinho. Eu não vou contar a história do filme para não estragar a surpresa de quem não viu e pretende ver. Mas uma coisa é certa: o filme é triste e nos faz incontrolavelmente pensar “E se fosse eu?”. E se fosse tu? Agüentaria? Seria forte o suficiente para tentar salvar o mundo?
Will Smith está em um de seus melhores papéis neste filme, na minha humilde opinião. Para interpretar um personagem que quase o tempo inteiro vive em um monólogo, ou falando com o cachorro, é preciso ter muito sentimento, muita sensibilidade para convencer o público de que o personagem não está fora de si e que aquilo é real. Claro que esses atributos se aplicam para qualquer bom ator, mas acho que nesse caso (como em Náufrago, também), isso é mais difícil, já que não se tem um apoio, é só tu e tu mesmo. E um cachorro bem treinado!
Já em Hancock, o sentimento de solidão é por outro motivo: Hancock é o único de sua espécie (até então), não tem amigos, a população o despreza como herói, as autoridades querem prendê-lo e o pior: ele não sabe de quase nada de seu passado. E o pouco que sabe serve somente para deixá-lo mais revoltado. E isso tudo acaba resultando em um “anti-herói”. Hancock é alcoólatra, mulherengo e não gosta de crianças. Mas o sentimento de solidão se faz presente na medida em que o filme deixa de ser uma comédia e torna-se um drama. Sim, um drama. E quem ver o filme vai entender o porquê. Novamente, Will usa de expressões faciais para mostrar ao público todo o sofrimento de seu personagem. Aliás, ele é bom nisso. Sem pronunciar uma frase, consegue mostrar às pessoas o que a personagem sente.
Vale a pena ver os dois filmes. Eu chorei nos dois, pode?











Tweets that mention Fester Blog - Notícias – Will e a Solidão -- Topsy.com:
[...] This post was mentioned on Twitter by Diego Dias, Luísa Leupolt. Luísa Leupolt said: http://festerblog.com/will-e-a-solidao/ [...]